Você é o que você vê

09/05/2017 0 Por Nathalia Viana
Você é o que você vê
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Recentemente falei aqui sobre força de vontade e como deve partir dos alunos a iniciativa para evoluir. Hoje gostaria de falar sobre o outro lado dessa equação. Qual é a imagem que seus alunos têm de você e como você os motiva?

Parece muito superficial falar sobre isso, mas a verdade é que a imagem que você passa para seus alunos influencia muito a postura que ele adotará dentro da academia. É claro que cada um tem sua própria personalidade, caráter e estímulo próprio, e, em geral, é muito comum ver alguns padrões de comportamento principalmente nas aulas comerciais. Mas você já parou para analisar que padrão de professor você segue?

Como reclamar da frequência de aula de um aluno comercial quando o próprio professor parece estar com preguiça de estar ali? Como exigir que seu aluno compareça aos treinos sempre usando o traje adequado para o muaythai se você dá aula de bermuda de surf ou de legging? Como esperar que seu aluno queira aprender a segurar aparador se nem o professor dele segura aparador para os alunos eventualmente?

Não dá para esperar que seu aluno esteja mais motivado a aprender do que você está motivado a ensinar.

Períodos de desânimo e frustração acontecem, como em qualquer função, mas se uma empresa demonstra para seu cliente que não está tão a fim de atendê-la, não espera-se que ela seja contratada novamente, não é? A relação aluno e professor não pode ser puramente comercial, mas também não espere que seu aluno fique apenas por amizade.

Você pode ter o perfil que for: carrasco, engraçadão, pai de todos, psicólogo… Só não pode ser o preguiçoso ou o desleixado. É claro que nada disso garante qualidade e conhecimento, mas lembre-se que um aluno novato não tem parâmetro de comparação e nem informação para avaliar a qualidade do muaythai ensinado. É como ir a um dentista com dentes tortos, não passa nenhuma credibilidade e a primeira impressão é a que fica.

Chegue no horário  ou de preferência um pouco antes, use sempre o shorts de muaythai — não vale de corrida e nem de MMA—, se dê ao trabalho de tirar o moletom (seu aluno está lá passando frio também). Não fique lá checando suas redes sociais ou sentado cuspindo ordens e, de preferência, mostre você como se executam os golpes em vez de pedir sempre para o mais graduado fazê-lo.

Corrija a todos e corrija muito, nunca desista daquele aluno que parece ser um caso perdido e não leva muito jeito. Não há nada mais desestimulante do que perceber que seu professor parou de te corrigir, porque isso pode passar apenas duas impressões: ou eu fiquei tão bom que meu professor não tem mais o que me ensinar, ou meu professor não presta atenção o suficiente para notar meus erros. E, principalmente, deixe seu aluno saber que você também treina, que você também busca informação nova, que você assiste lutas. Vá aos eventos, incentive seu aluno a prestigiar o esporte e ensine pelo exemplo.

Não dá para esperar mais dele do que de você mesmo, e não dá para viver reclamando que o esporte não é reconhecido se você não trabalha sua imagem nem dentro da academia. Seja no mínimo o que você espera dos outros, mas queira sempre ser mais.

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Nathalia Viana

Analista financeira que conheceu o muaythai, e parece que já não liga mais para hematomas. Aqui ela conta um pouco das suas experiências, como mulher, e como praticante. Fale com ela no nathalia@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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