Lutar é muito mais que vencer

06/06/2017 2 Por Nathalia Viana
Lutar é muito mais que vencer
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“Covarde não é aquele que evita um combate, covarde é aquele que mesmo sabendo que é superior luta e fere o mais fraco”.
Bruce Lee

Meu texto poderia parar por aqui, já que a frase acima, embora não siga o mesmo contexto, resume o texto de hoje. Ninguém gosta de perder. Essa é provavelmente a maior unanimidade da luta. Você pode não ficar bravo por perder uma luta, você pode entender o motivo que te levou a perder, você pode até aceitar sua derrota. Mas você não vai gostar de ter perdido.

Ninguém treina por um mês como se seu objetivo fosse salvar o mundo para perder. Ninguém treina até a exaustão por duas a três semanas, é amassado repetidamente no clinche, continua quando seu corpo está praticamente te dizendo “ei, imbecil, pare com isso, você já chegou no seu limite”, faz dieta, tira peso e sobe em um ringue arriscando sair dali seriamente machucado pensando “eu vou subir lá, se eu perder ok”. Não. O que te motiva é justamente pensar: eu vou ganhar.

A graça toda dessa história é essa. Muitas vezes você até sabe que vai ser uma luta extremamente difícil, que ganhar vai ser um grande desafio, mas se você não se achar minimamente capaz de vencer, então para quê se submeter a tudo isso? Não há superação nenhuma em tomar uma surra de alguém de quem você não teria como vencer, por mais coração que você tenha. Embora infelizmente algumas lutas ainda sejam casadas assim.

A questão é o outro lado da história. Qual é a graça de vencer alguém muito inferior a você? É muito provável que todo lutador passe por embates “fáceis” (entre aspas porque nós sabemos que nada é fácil quando se luta). Seja qual for o motivo, o outro lutador não estar no seu dia, ter sofrido demais para tirar peso, a luta ter sido mal casada… Se você for um bom lutador, respeitará seu adversário como qualquer outro e fará seu trabalho. É claro, uma vitória é uma vitória, não importa o contexto. Mas talvez ela não tenha o mesmo gostinho que aquela luta que você venceu após você e seu adversário terem se quebrado.

Um exemplo disso foi a luta entre Ricardo Pacheco e Wagner Mangaba pela primeira edição do Epic Muaythai Brasil 2016 (assista aqui). Pacheco saiu do GP após ter problemas para bater o peso e Mangaba acabou aceitando fazer uma luta com ele no evento. No quarto round, Mangaba deslocou novamente seu ombro, o que o tirou de combate e Pacheco saiu vitorioso. Me lembro claramente de Pacheco lamentar o ocorrido  veementemente. Na época não pude evitar pensar “pô você venceu, comemora”. Mas o que havia ali para ele comemorar? Mangaba foi vencido por uma lesão anterior àquela luta.

O ponto ao qual quero chegar é que você não será um grande atleta se só acumular vitórias “fáceis”. A grande graça da luta é se desafiar e enfrentar grandes adversários. Ser derrotado após fazer uma luta incrível contra um adversário duro muitas vezes tem mais valor que ganhar daquele desentendido que nem teria condições de estar ali. É só ver a luta do Júlio Lobo vs Saenchai pelo Thai Fight 2016 para entender a ideia.

Esse é um dos motivos para eu admirar tanto os atletas da Puro Thai, equipe liderada pelo Thyago Dyovane. Muitas vezes os meninos não saem com a vitória, mas travam embates eletrizantes. Como a última luta do Riquelme, que enfrentou Mapanoi no Portuários Stadium (assista aqui), um adversário duríssimo, e mostrou que lutar é muito mais sobre superar seus próprios limites do que sobre bater mais no outro cara de luva.

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Nathalia Viana

Analista financeira que conheceu o muaythai, e parece que já não liga mais para hematomas. Aqui ela conta um pouco das suas experiências, como mulher, e como praticante. Fale com ela no nathalia@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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