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Part 2: Duelo de estilos, muayfimeau e muaydeun

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Continuando a leitura da semana passada (clique aqui) sobre os estilos, segue a segunda parte.

MUAYDEUN: É meu estilo de lutador favorito. São os lutadores que andam, não importa a circunstância ou situação adversa, ele irá andar para frente. Assim como o MuayMat são lutadores de força, lutadores de guerra, com coração maior que o peito.

Buscam sempre encurralar seus adversários e utilizam muitos golpes isolados, mas sempre com muita potência, do tipo que levam guarda, bloqueio e o que estiver no caminho. Batem sempre para machucar e causar dano ao oponente.

São lutadores que constroem um nocaute, variando bastante batendo nas pernas, no corpo, na cabeça. As vezes não acham aquele KO de um golpe só, mas vão minando seus adversários até acharem um caminho para terminarem o serviço. 

Usam mais a cabeça, conseguem enxergar bem a luta, onde bater, a hora de bater. Treinam muito pois precisam do gás e força para impor ritmo forte e crescente em suas lutas. E principalmente, aguentam muita porrada, tem boa absorção, aquele abençoado que você bate e parece que está batendo num poste, e quando vem a resposta já sabe. São lutadores que independente do resultado você sabe que sairá machucado e não terá vida fácil.

Usam também a base um pouco mais aberta para terem maior potência nos golpes e maior equilíbrio ao receber as pancadas.

Exemplos de lutadores: Yodsanklai, Pakorn.

MUAYFIMEU: São os talentosos, habilidosos, inteligentes que usam muito da malandragem e do antijogo para vencer. Mas isso não quer dizer que não tenham força. Conseguem sim trabalhar com firmeza e bom equilíbrio, e não desperdiçam golpes.

Usam todas as armas com maestria, se precisar socar eles socam, se precisar chutar eles chutam, etc. Lutam com a regra debaixo do braço, batem nas brechas e ganham sem muito esforço.

São lutadores que gostam de andar para trás para trabalhar em cima dos erros do adversário. Antecipando movimentos ou contragolpeando, com as pernas sempre “vivas”, movimentando e subindo a todo o momento, por isso é comum trabalharem com uma base um pouco mais fechada o que facilita esse trabalho.

Utilizam muito travas, pegadas, fintas, quedas, esquivas de chute, e todas as variáveis técnicas que podem tirar o foco do outro atleta, pontuar e ganhar a luta de preferência sem se machucar.

Sempre com um tempo de ataque/resposta afiado, fazem o jogo de bate e não deixa bater e nos eventos dentro da luta são sempre os últimos a golpear limpo. Tentam sempre se manter à frente na corrida e no controle da situação. 

Exemplos de lutadores: Saenchai, Sangmanee, Petchpanorung

Esses quatro estilos então servem para te dar um norte e são definidos de acordo com suas habilidades, características físicas e de personalidade. 

Não adianta eu gostar de assistir um MuayDeun e querer que meu atleta seja um, sendo que ele enverga em golpes mais fortes ou não tem poder de nocaute. Ou ainda querer que um lutador todo duro jogue de Fimeu, ou que um lutador muito baixinho seja MuayKhao.

Devemos ter sabedoria para saber que rumo tomar nos treinamentos. Cada escola tem uma forma de trabalhar e enxergar a luta, suas características e algumas são famosas por terem determinada especialidade. Mas ao meu ver o treinador deve se adaptar ao lutador e não o contrário, deve moldar o atleta de acordo com o que ele precisa e tenha maior facilidade e não de acordo com o gosto do treinador.

Caso contrário, se casar as características do atleta com a proposta da escola ok, provavelmente sairá um campeão dali, mas e se não houver esse casamento? Insistir em transformar um atleta numa coisa que ele não é pode até dar certo mas tornará o caminho mais longo ou matar a carreira promissora de alguns. 

Ao definir um estilo não quer dizer que treinará apenas aquilo. É um ponto de partida, um jogo onde sinta confiança. Mas deve ter um repertório mais amplo que dê suporte para impor esse seu jogo.

De uma forma ou de outra irá se refletir nos treinos, um MuayKhao vai clinchar mais, um Fimeu vai chutar mais, o trabalho de aparador deverá ser personalizado para cada atleta. Mas não quer dizer que deixará de treinar todo o conjunto. 

O ideal é não virar linha de produção, saindo todos iguais, como disse todos terão características da escola, o que é legal, mas paralelamente cada um com suas próprias sendo trabalhadas de forma individual. 

Se forem para fora alguns itens devem ser levados em conta na escolha de onde irão ficar, e um deles é esse, a linha de treino que cada escola segue, umas clincham mais, outras correm mais, outras fazem muito trabalho de Tpao, etc. Escolha uma que irá favorecer o seu jogo para que assim consiga deixar o caminho mais limpo e curto até seu objetivo.

Aqui é complicado rotular os atletas com estilos, com os meus tenho isso em mente como disse para ter um norte mas busco ampliar repertório. Pode até ser um “MuayKhao” mas se em determinada luta eu achar que ele deve socar ele vai socar, se deve chutar ele vai chutar. Uma coisa é um tailandês com 200 lutas onde já tem um jogo bem definido, outra é um moleque que ainda não tem 10. Ter um norte, uma especialidade é uma coisa, mas cuidado para não rotular seu atleta e com isso acabar limitando uma evolução mais ampla e talvez surpreendente.

Fica aquela velha resenha do especialista vs generalista. Para um lutador devemos dosar esses dois pontos. Não adianta ser generalista, saber fazer de tudo um pouco, mas tudo meia boca, faz tudo mas nada bem feito com excelência. É diferente de um Fimeau de qualidade onde faz tudo mas sabe o que deve fazer, e é um jeito de jogar com um objetivo, não confundam com um perdido que faz tudo mas não sabe o que está fazendo. 

E do outro lado temos o Especialista com cabresto, o que também devemos tomar cuidado. Saber fazer apenas uma coisa mesmo que bem feita, mas se sair dessa zona de conforto ficar perdido. 

O ideal é ter sua especialidade, aquele jogo que você é bom, mas também conseguir se virar nas outras áreas, ou como disse ter um suporte mais amplo para conseguir trabalhar e impor aquele seu ponto forte.

Para exemplificar um Especialista em algo podemos usar Petchboonchu naquela pegada de clinch que pode passar a luta toda ali sem o adversário conseguir se mover, ou ainda no K1 Ernesto Hoost com sua sequência direto, hook low kick, ou saindo da luta para quem acompanha futebol, o jogador Robin da Holanda, todos sabem que quando ele pega a bola no bico da área ele vai cortar para a esquerda e chutar. 

O lance é que fazem tão bem feito esses movimentos, que mesmo que todos já saibam o que irão fazer, eles ainda assim o fazem e ninguém consegue os impedir pela excelência com que executam o movimento. Porém eles não são apenas isso, são grandes atletas num todo e tem sua especialidade como marca registrada, graças a muito treino e repetição.

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Felipe Cazolari
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Felipe Cazolari

Professor de educação física, treinador do ano em 2016, fundador da Warm Up, constrói academia, é casado, e ainda cuida de 3 cachorros. Fale com ele no cazolari@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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