Coluna da Nathalia Colunas

O outro lado da história

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O texto de hoje deveria ter outro tema totalmente diferente. Já tinha planejado o que queria escrever e como, mas com o término da terceira rodada do Torneio Yoksutai, novamente me vejo obrigada a falar sobre algo relacionado a isso. Da última vez, o assunto abordado foi como a molecada me impressionou por seu comprometimento e humildade (se você ainda não leu, clique aqui), o que continua me deixando orgulhosa, especialmente por serem meninos tão novos. Mas hoje preciso falar sobre outro assunto que também é muito importante: estrutura.

Primeiro, quero dizer que as coisas nem sempre são o que parecem. Sempre frequentei eventos como público pagante e, embora não tenha participado tanto da organização quanto da execução do torneio, o que a gente esquece quando está assistindo às lutas é que tudo aquilo é feito com dois objetivos: dar visibilidade aos atletas sob as melhores condições possíveis — dentro de orçamentos bem apertados — e agradar ao público. Se não for assim, o evento já começa todo errado.

Mas a questão é que quando chegamos ao local no horário programado e começamos a nossa lista de reclamações, não fazemos ideia da dificuldade que é colocar aquilo para funcionar sem praticamente nenhum apoio. Sejamos sinceros: não dá para ganhar dinheiro com evento. Pelo menos não muito. Não que lutar muaythai ou dar aulas seja lá o caminho para o pote de ouro no fim do arco íris, mas se você quer entrar nesse ramo agora, entre sabendo que o investimento é de longo prazo.

Para começar, nada nessa vida é de graça. E você precisa pensar em 3 focos diferentes para organizar um evento: estrutura física, administração do evento e o card. Estrutura física significa definir o local no qual o evento será realizado (quantas pessoas ele acomoda? Quantos banheiros possui? Tem lanchonete? Já tem ringue ou você precisará alugar?) E ainda os detalhes como iluminação, mesa de som, bandejas e banquinhos, rodos, panos, gelo, cadeiras para o público, luvas e cotoveleiras… São a maior parte dos gastos fixos do evento, portanto, se o público lotar a casa ou se só aparecerem os atletas e corners, você ainda paga a mesma conta no final.

As acomodações são uma parte muito importante. Se atleta e público não estão confortáveis, a próxima edição do seu evento corre risco de ter cadeiras vazias e quase nenhuma inscrição para lutas. Afinal de contas, o lutador dá o show e os espectadores são quem garantem o retorno financeiro, então todos precisam sair minimante satisfeitos. E isso precisa ser muito levado em consideração no último tópico.

Mas antes, você já tem a estrutura, mas ninguém consegue fazer um evento sozinho, por menor que ele seja você precisará de equipe médica e ambulância, arbitragem, mas principalmente de staff. Acumular funções pode ser uma ótima ideia para economizar uma grana, mas quando for necessário tirar luvas e cotoveleiras dos atletas, soltar o Pi Muay, limpar a água do ringue, entregar troféu e cuidar dos mil detalhes de todo um evento, você precisa ter a confiança de que cada um está fazendo bem a sua parte. Escolha sua equipe de apoio com a cabeça e não com o coração, muita gente está mais interessada em assistir às lutas do que em contribuir para o êxito do evento, então pode valer mais a pena pagar por isso se você tiver uma graninha sobrando.

Mas a questão mais importante de todas é: como montar o seu card? É comum que eventos façam cards super longos para atrair bilheteria de olho na torcida de cada atleta. Mas será que isso funciona? É claro que quase todo lutador acaba levando algum público, mesmo que inexpressivo, mas depender do marketing pessoal deles — que não mantém lá uma vida social tão agitada enquanto intercalam treinos exaustivos e merecidos descansos — me parece uma grande furada. O que funciona mesmo é luta boa. E luta boa não precisa ser cara, o que tem de atleta não profissionalizado lutando em alto nível por aí… No Torneio Yoksutai 2017 mesmo tá cheio de meninos bons que só fazem guerras em cima do ringue.

Agora, não é porque o atleta não é profissional que seja certo ele pagar para lutar. Voltando à questão dos cards intermináveis, com menos lutas é possível pagar um pouco melhor as bolsas. E de quebra, seu público não fica impaciente. Quem paga para ver luta quer torcer pelos lutadores, mas acaba chegando lá e torcendo para só ter nocaute, só para chegar logo na luta principal. Isso sem falar nos atrasos, afinal, quanto mais gente para subir no ringue, mais gente para se atrasar e, consequentemente, atrasar o seu evento.

Resumindo, fazer evento não é fácil e muito menos barato, mas é imprescindível para o crescimento do esporte. Então, se você é organizador, lembre-se porque você começou tudo isso e para quem realmente é feito todo aquele trabalho, escute as reclamações do seu público sem rancor, são as críticas que farão com que a próxima edição saia melhor que a anterior. Se você é público, não se esqueça de que não dá para agradar gregos e troianos, mas se você percebeu algo que não está legal, cobre sim, mas sem esquecer que é uma pessoa muito como você quem está ali tentando fazer aquilo dar certo. E se for atleta, então não se preocupe com nada, você é a estrela do espetáculo e está ali só para dar show.

Perdeu o ao vivo da última rodada do Torneio Yoksutai 2017? Corre lá no Youtube que a primeira luta comentada já foi liberada. Não esqueça de curtir nossa página no facebook, nosso canal no YouTube e nos visitar no yoksutai.com para saber o que acontece de melhor no muaythai.

Nathalia Viana
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Nathalia Viana

Analista financeira que conheceu o muaythai, e parece que já não liga mais para hematomas. Aqui ela conta um pouco das suas experiências, como mulher, e como praticante. Fale com ela no nathalia@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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Vire Caveira

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