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Coluna do Cazolari | A dança do Muaythai

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Assim como a capoeira eu entendo o Muaythai com muitos elementos e características musicais, uma dança que machuca mas que não deixa de ser uma dança. Com movimento, ritmo, balanço, improvisos e entrega.
A começar pelo Pi Muay, que acompanha e tenta ditar um ritmo para o combate assim como o árbitro também tem muito desse papel. Porém na prática são os lutadores que acabam ditando realmente esse ritmo. Onde ambos brigam pelo protagonismo dessa condução, impondo um ritmo que já vai se desenhando desde o primeiro round.
Eu não danço nada, o mais próximo de dança que cheguei foi roda punk. Mas acredito que seja assim também, primeira vez dançando com a parceira vai entendendo o que está acontecendo, biotipo, como a pessoa se movimenta, para então ir desenrolando os passos, condução, até “esquentar” e acelerar as ações.
Para o público leigo muitas vezes acaba sendo chato ver esse começo de luta (até por isso a moda das lutas de 3 rounds) e mesmo muitos atletas ainda desperdiçam esses rounds como se não importassem. Porém os rounds iniciais são essenciais para leitura corporal, análise de reações para determinados estímulos, equilíbrio, postura. Realmente SENTIR com quem está lutando além do vídeo de estudo da preparação. Balança, sai para um lado, pra outro, espeta um jab, um teep, solta um golpe forte, gruda, sente a pegada e postura, e vai entendendo e atraindo seu adversário literalmente tirando ele para dançar, criando e impondo o ritmo e caminho que deseja. 
Quanto maior a experiência do lutador melhor ele faz isso. Te envolve nos movimentos, no olhar, até nas brincadeiras e provocações e sem perceber entra em seu jogo e faz exatamente o que ele quer que você faça. Como uma sereia te envolve no canto bonito e acaba inconscientemente fazendo o que ele quer achando que vai se dar bem mas na realidade está caminhando para sua própria morte.
Como diz meu amigo e excelente treinador Reni Fraga “Muaythai é simples, não fácil!”
Saber andar, se posicionar, reconhecer as diferentes distâncias, usar os golpes certos para cada uma e como se transferir de uma para outra; saber chegar e entrar no clinch; a distância e maneira correta de boxear; trabalhar jabs e teeps com eficiência e propósito; posicionamento de base ao receber um golpe; tempo de entrada de cotovelo, enfim, esses são alguns fatores realmente importantes que um lutador de Muaythai deve aprender e aperfeiçoar.
Quesitos que muitos atletas são carentes, não sabem andar no ringue, mas fazem “firulas” que viram no vídeo game. “Luk Muay” é a expressão usada para a postura e destreza do lutador e isso é avaliado a todo momento.
Mas além de tudo isso entra também essa área na qual estou tentando entrar. Ter o controle da luta! Impor a sua vontade, acelerar, desacelerar, conter o ímpeto, realmente manipular seu adversário sem que ele perceba.
Para tomar as rédeas desse protagonismo de condução é preciso um olhar atento, saber o que quer, do que é capaz e analisar as respostas físicas que seu adversário te apresenta. 
Lutar Muaythai não é só trocar soco e chute, saber clinchar, ter todos os fundamentos e entender a regra e critérios de forma crua, como disse acima, tudo isso é importante mas ter a malícia do negócio faz toda a diferença.
Os lutadores usam o que chamamos de balanço para se movimentar e a luta segue um ritmo e um tempo marcado, que devemos saber tanto marcar e contar quanto ter armas e estratégias para quebrar esse ritmo quando necessário. Ter um arsenal de fintas, uma boa leitura corporal de entrada e antecipação de movimentos, com TIMING certo de cada possibilidade ajuda muito nesse trabalho.
 É difícil trocar técnica com thai pela mecânica, equilíbrio e absorção de golpes deles que num geral são acima da média mas principalmente por esse “timing” de luta, esse poder de atacar, ler e antecipar ações usando o movimento certo no momento certo, do jeito certo. 
Eles  têm esse ritmo de lutar/jogar/”dançar” Muaythai já enraizado desde muito novos, faz parte de suas vidas e cotidiano. Um gringo dificilmente chegará perto desse nível de entendimento deles na prática. O que nos resta é estudar, e treinar muito para chegar ao menos perto e se sobressair em força, gás e principalmente apetite de vitória para compensar. Como diz outro treinador brasileiro gigante que temos Leonardo Sessegolo “Não se trata de quem é melhor mas sim de quem QUER mais aquilo”.

Felipe Cazolari
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Felipe Cazolari

Professor de educação física, treinador do ano em 2016, fundador da Warm Up, constrói academia, é casado, e ainda cuida de 3 cachorros. Fale com ele no cazolari@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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