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Cem por cento nunca foi o suficiente

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A começar pela simples audácia de adentrar o mundo inerentemente masculino dos esportes: sua simples presença neste solo sagrado é peculiar e atípica.

O seu cem por cento não é o suficiente, e ele será medido e rotulado. Ou você é muito feminina pra isso, ou não é feminina o suficiente. Bruta demais, ou mole demais. Leva muito a sério ou é fútil. É muito vaidosa ou simplesmente relaxada. Independente da sua medida, ela não é boa o bastante; você não é boa o bastante.

Se você se importa com a sua aparência, você é fresca. Se não se importa, é masculinizada. Se não é bela, ninguém vai te notar (muito menos patrocinar), e se é, te notarão pelos motivos errados.

Se você quiser fazer o que eles fazem, estará tentando provar demais. Mas se não fizer, não é boa o bastante.

Você não pode querer os mesmos privilégios se assume que é diferente fisicamente, mas, na verdade, nunca terá o mesmo. Nem o mesmo apoio e suporte, nem a mesma estrutura, ou a visibilidade, o mesmo reconhecimento, e muito menos o mesmo pagamento. E um fato justificará o outro: não ganha a mesma quantia porque não gera tanto interesse, o que atrai menos visibilidade, por isso não conquista uma estrutura igual, o que te impede de fazer os mesmos feitos, e é por isso que não ganha a mesma quantia…

Cem por cento não é o suficiente. E nunca será, porque com menos, você precisa fazer mais: com menos dinheiro precisa ter a mesma estrutura para fazer bonito, com menos apoio precisa arrumar tempo para treinar igual (e ainda fazer tudo aquilo que eles têm quem faça por eles). Com menos parceiras de treino e adversárias, precisa ter a mesma evolução, e com a consequente menor experiência precisa promover o mesmo espetáculo. E ainda que tenha muito menos visibilidade, precisa conquistar o mesmo suporte.

Cem por cento sempre será pouco, e o que você quer sempre será demais. Por lutar contra isso você será chamada de chata, louca, barraqueira, a que só quer chamar atenção.

E não importa quanto alarde você faça, o seu cem por cento vai continuar não sendo o suficiente.

Mas isso nunca importou, não é mesmo? Você sabia disso quando te disseram que esse não era o lugar pra você, e você levantou todas as manhãs, e suportou todas as dores, todos os olhares e críticas. Você continuou quando sua dor foi chamada de frescura, quando seu protesto foi chamado de chilique, e suas lágrimas chamadas de fraqueza, de fragilidade.

E você vai continuar novamente.

Quando eles disserem que você não é capaz, quando disserem que você já foi até longe demais, e que não vale mais a pena. Porque você nunca precisou deles para se levantar. Você encontrou a sua própria força, encontrou a sua coragem e sua própria vitória onde ninguém achou que seria possível.

Que cem por cento não seja o suficiente. Você sempre fez o dobro, o triplo. O mundo vem te batendo há muito tempo e se “o que não te mata, te fortalece”, você já se tornou invencível.

Então fodam-se as medidas deles. Apenas levante-se e lute, por mais um dia, como uma garota.

Por: Nathalia Viana
Foto: Mario Palhares

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Nathalia Viana

Analista financeira que conheceu o muaythai, e parece que já não liga mais para hematomas. Aqui ela conta um pouco das suas experiências, como mulher, e como praticante. Fale com ela no nathalia@yoksutai.com, ou no facebook aí do lado.
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